Terça-feira, 16 de Março de 2010

Mais um.

Desentendo a necessidade de aguardares por permissão. Nunca ma havias solicitado, e ininterruptamente encabeçaste tudo o que pretendias! Jamais deixara de te facultar consentimento. Porém, é notável que ainda te aprisiono. Estás apto a esquecer-te do quanto preciso de tudo?! «Sempre que me sentia mal pedia-lhe que consertasse os fusíveis, que me limpasse as entranhas esburacadas, e ele obedecia».

 

Quando nenhum dos dois aprende a subsistir à revelia do apelo ávido do outro, converte-se numa analogia inequívoca, apta a arquitectar um escudo resistindo à perigosa passagem tempestuosa. Faz do outro uma quimera momentânea, descobrindo-o e encarnando o papel de protagonista. Aquele sentimento perpétuo, vou fazendo «paisagens com o que sinto»!

 

Enredo de remissões continuadas, demandas infatigáveis… A felicidade esgota-me e por isso sobrevivo a semana em estado tal de alienação; o tormento deste modo agora exalta-me, nada é fácil! E ai de alguém que desista! Sim, amei-o mal. Mas atacou-me com os caninos cerrados da demência. O silêncio continua…

Espero sempre até ao último segundo, exprimias, assim diminuo a febre de sentir!

 

Suplicam-me que reaja, que decapite vocábulos… Mas tu insistes em travar-me os movimentos destes músculos.

 

Ao invés do banal, poderia até ter consumido uns analgésicos, e sei como não estimas que em ti actuem, e permanecer ilesa, mas ainda antes que o fizesse, morri! Esfaqueando o amor que nasce protegido de corpos suados, da erosão dos mesmos, uma carência da essência do outro.

 

E agora, reparaste no que acabaras de fazer!? Pretendes-me acautelar? Possivelmente nada valesse aflição e provavelmente tenhas fundamento no raciocínio ilógico que obraste e que com orgulho não consegues já demolir… Ninguém se rendeu naquela noite, mas eu não desistirei, sei o que quero.

 

Quando amamos algo, simplesmente lutamos em adversidade. Portanto nem te incomoda! Agora a certeza que te amo assolou-me mais que alguma vez. Dizes que vivo em demasia e por isso estou repetidamente a magoar-me. E reconheces igualmente, melhor que tu mesmo, que tudo isto se sintetiza na tua existência. Mas identicamente não vai ser agora que te vais abalar com tal divagação.

 

Um amor bolorento, o desejo dos olhos dela reflectido nos dele, não deixam margem para dúvidas. Gulosos. É inconcebível. A racionalidade afirma-se e é ela que entrelaça os dedos dele nos dela. É estonteante! É real! Afinal não sabes ser feliz de qualquer das maneiras!

 

E as ruas desta cidade têm um só nome!

 

Nutres tudo isto. E quando questiono toda uma vizinhança, o que fazer, como te esquecer; todos permanecem estáticos.

 

-Se ele te ama e tu não consegues já coabitar sem ele, analiso este teu estado tal de dependência; agora só sobrevives sem apelo! Porque não optam por aquilo que o mais comum dos mortais faria? Qual a tua percepção, de não pretenderes regressar à tua alegria contagiante que já não me lembro de recordar? Merda, és uma fraca. Chega a altura de dares tudo e viveres finalmente. Aproveita, sei que é o que queres! Há imensos a lutar contra esse teu vício, sabes disso. Ele está longe mas antes que tivesse ido, uniste-te e é agora tarde para que quebres a ligação. Já começou tudo! Não o largues. É um diamante que te exalta, e faz de ti isto que te tornaste. Estás magnífica!

 

-Caraças, não és capaz de perceber que quero tudo mas não o posso ter sozinha? Ele não cresceu, tinhas razão. Não deve fazê-lo.

 

-Tinha razão, ele é o canalha que tu amas. Aquela garota cheia de pujança e rebeldia que te demonstras, mas agora estás presa. Vive-o!

 

Tantas vezes que gostaria de te encaminhar um ‘obrigada’ e que viesses depois do rugido. Não estás aqui. E esse aí é tão longe para que não me ames assim!

 

Dóis-me no osso. «Não tenho existência suficiente para ocupar este espaço todo onde tu faltas.»

 

 

0912


publicado por devaneios demarcados às 19:02
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